PARA ME CONHECER MELHOR

CONFORME MINHA EX MUIÉ, SOU GALINHA ,BEBUM,SEM VERGONHA,MENTIROSO , PORTEIRO DE CABARÉ ,BATUQUEIRO,FEDORENTO ,CACHORRO , BUCHA DE CANHÃO ,E OUTRAS COISAS RUINS ,MAS NA VERDADE ME CHAMO MAURICIO CORNELI, NASCIDO NO INTERIOR DO INTERIOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, MAS SOU MAIS CONHECIDO COMO "CRUZ CREDO" ,PORQUE SEMPRE OUSO ISSO QUANDO ALGUÉM ME CONHECE PESSOALMENTE. SOU CRUZA DE ÍNDIO VÉIO VESGO,COM MÃO PELADA FEDORENTO. FUI PARIDO E LARGADO NUM CANTO DA ESTÂNCIA ONDE ME CRIEI. FUI CRIADO A GUÁCHO, JUNTO A EGUADA NO MEIO DO CAMPO. FOI NESSE ESTILO DE VIDA QUE APRENDI E DESENVOLVI MINHA EDUCAÇÃO, MEU ESTILO DE PENSAR AGIR E FALAR (APESAR QUE ALGUNS DIZEM QUE EU RELINCHO ) APRIMORANDO MEU ESTILO GUASCA ,GROSSO DE SER. SEMPRE FIZ SUCESSO COM AS PRENDAS,NOS BAILES DA MINHA TERRA, A MULHERADA SEMPRE ME DISPUTA. ME DIZ PUTA QUE PARIU, QUE GUASCA MAIS FEIO. QUANDO EU ENTRO NA BAILANTA, É UMA CORRERIA DE MULHERADA, TODAS CORREM PARA A PORTA DE SAÍDA. MINHA EX MUIÉ ME DISSE , OU EU OU A CACHAÇA, SINTO SAUDADES DELA, PORQUE SEM BEBER ,NÃO DAVA PARA ENCARAR ELA. NÃO PASSO NA FRENTE DE IGREJA,PORQUE O PADRE JOGA AGUA BENTA EM MIM, POIS PENSAM QUE SOU O COISA RUIM, PARECIDO SOMOS. POR ISSO ESCREVO( OU TENTO) NESSE LUGAR, TUDO O QUE APRENDI COM A VIDA DE CAMPO E DA LIDA .

gaudéria

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Eu sabia q nós gaúchos éramos modestos... rss

Tarso aprova novas cédulas de Pila

Segunda 01 | 10h18
Notas começam a circular em 20 de setembro.





PORTO ALEGRE, C.F - Aprovada pelo Presidente Tarso Genro, entra em vigor no dia 20 de setembro a nova moeda do RS. O já conhecido "Pila" terá modelos de notas exclusivos, que exaltarão as riquezas da querência.

De acordo com o Presidente do Banco Central do RS, o xiru Marlon Hopner Borowski, as cédulas não poderão ser falsificadas e serão extremamente resistentes:
- O material utilizado na confecção das notas é indestrutível. É feito com couro de búfalo e uma mistura de erva mate e sal grosso. Se uma bomba nuclear cair sobre o pampa apenas as baratas, as mulitas e as notas de Pila sobrariam.

Além do material ultra-resistente o câmbio será ajustado: todas as outras moedas do mundo girarão em torno do Pila:
- Agora que o Banrisul ajudou os EUA, e eles estão com dinheiro, o dólar vale algo como RS$ 0,57 de Pila. A nossa moeda é a mais valiosa do pago e do mundo - encerrou Borowski.



Marcopolo fabricará ônibus espacial gaúcho


Quarta 03 | 18h54
Gauchada deve chegar em Marte nos próximos 5 anos.



Agora é oficial. Já se sabia que a tecnologia espacial estava bem avançada na República do RS, mas agora a coisa vai deslanchar. Segundo a Agência Espacial Gaúcha (AEG), a Marcopolo assinou um contrato com o Governo Federal (Palácio Piratini) para construir a primeira nave tripulada da República Federativa do Rio Grande do Sul.

A espaçonave pampeana terá lugar para 10 viventes sentados e 8 dimpé. Contará com churrasqueira, fogão de campanha, água quente pro mate, dispensa, dormitórios, bagageiro, quarto de banho e latrina.

Segundo o chefe da AEG, Werner Von Fagundes, taura muito inteligente e responsável pelos estudos, os americanos jogaram a toalha porque não tinham o direito de usar a tecnologia para revestimento da nave, pois esta é uma patente gaudéria. Trata-se de uma combinação de casca de cana de Morungava, barro vermelho de Gravataí, pedra de areia moída das pedreiras de Taquara e baba de cupim de campanha (formigueiro). Segundo os cientistas da Agência Espacial Gaúcha, o material resiste a 10 mil graus de temperatura e também pode ser usado na blindagem de tanques de guerra.

A propulsão do foguete será à base de canha marisqueira e água do rio Uruguai. Os pesquisadores gaúchos afirmam que a mistura é 1000 vezes mais potente do que o combustível atualmente utilizado pela NASA e 3000 vezes mais potente que dinamite.

Há décadas que esta tecnologia vem sendo desenvolvida, em segredo, na Estâcia Porteira Fechada, em um distrito missioneiro, perto de São Borja. Dizem que os russos andaram por lá para espionar mas foram mandados embora, no laço, pelo capataz e pela peonada da estância.
Os americanos, que tentavam desenvolver um trabalho parecido na Área 51, foram convidados e estiveram de passagem por lá. Gostaram do que viram mas não trouxeram nada de novo ao know-how (ou savoir-faire) daqui. Em nota à imprensa, os nossos cientistas gaudérios disseram: “Tudo o que nos mostraram não é novidade e tudo o que mostramos a eles, ficaram boiando, de boca-aberta. É uma tecnologia anos-luz na frente da deles.”

Werner Von Fagundes acrescentou: “Estamos a passos largos para a conquista de Marte. Não vão 5 anos e teremos um peão, ou prenda, boleando a perna por lá.”


Lançamento de nova fábrica gaúcha de carros


Sexta 05 | 19h25

Após meses de negociações a ARG, finalmente, decidiu instalar uma fábrica em São Borja - RS.
O acordo saiu hoje e deverá ser anunciado, oficialmente, durante as comemorações da Semana Farroupilha.










Os diretores da ARG - Autos do Rio Grande - informarão, durante a Semana Farroupilha, sua decisão de instalar sua primeira filial/montadora em São Borja, tendo em vista a proximidade da cidade de Santo Tomé, que facilita o contrabando com o Mercosul (pela ponte internacional ou pelo rio Uruguai). Os gaúchos poderão contar com uma linha de veículos especialmente projetada para as características do pampa, que cultua por demais as tradições e atende a vários segmentos do mercado gaudério, com os seguintes modelos:

*- Charrua:* Camioneta para a família, amplo porta-mala-de-garupa, onde se leva o farnel e os apetrechos pro mate; muito espaço pra espalhar as patas, na frente e atrás. Nas versões QB (Quanto Badulaque) e CT (Cheia de Tralha). Depois de velha dá pra cortar e fazer picape.

*- Minuano:* Carro esporte, nas versões MB (Metido a Besta) e CF (Cheio de Frescura). Grande penetração aerodinâmica, mais assanhado que lambari de sanga. É carro pra quem tem a guaiaca cheia.

* - Taura:* 'Top' de linha, tipo sedã limãozine, nas versões LB (Loco de Bueno), LE (Loco de Especial) e MB (Macanudo Barbaridade). Revestimento interno de pelego sintético importado do Paraguai. Terceiro banco em compartimento isolado, especial para transporte de sogra e guri birrento.

*- Guasca:* Modelo popular de 1000 CV (Canha-Vapor). Bom para quem é pelado de nascença ou como segundo carro da família. Se tu tiveres um Guasca e um outro carro melhor, guarda o bom no brete e deixa o Guasca de fora, na soga. Vem nas versões PR (Pé Rapado) e ME (Meio Esgualepado).
A ARG cogita, ainda, o lançamento do modelo esportivo Bagual GT (Guasca Turismo), que vai depender da aceitação das outras pelagens do Guasca.


*Para conhecer melhor os carros da ARG, vejamos os opcionais:*


- Buzina em três padrões: Devon, Hereford e Angus.

- Estofamento em couro de vaca (se quiser curtido tem que encomendar).

- Cobertura de pelego para os bancos, nas cores preto e branco (se quiser tingido de azul ou vermelho tem que encomendar).

- Injeção eletrônica (quem aplica é o Gaudêncio da Agropecuária).

- Versão triflex: canha, álcool ou água do rio Uruguai.

- Não precisam de ar condicionado, pois têm vento encanado.

- Não têm ar quente, mas podem vir com fogo de chão ou lareira.

- Não têm macaco: têm bugio.

- Não têm extintor de incêndio: têm urinol, que deve ser mantido cheio.

- Três marchas pra frente, uma pra trás, duas pra esquerda e duas pra direita, como no vanerão.

- Câmbio paralelo automático (sem esse negócio de ficar pegando na alavanca, porque não pega bem).

- Parachoque dianteiro em forma de guampa.

- Não têm portas: há modelos com duas porteiras ou com quatro cancelas, tipo 'Hatchê'.

- Saem de fábrica com um rádio que só sintoniza a Guaíba.

- Podem vir nas cores azul ou vermelho (se quiser a carroceria revestida com pelego sintético tem que encomendar).

- Placas exclusivas, com dois conjuntos de 5 ou 6 letras: INTER e GREMIO.

- Rédea hidráulica opcional.

- Todos os modelos de pneus Michel Lã são fornecidos pela Borracharia do Michel, vulgo Xirú Alçado.

- Rotação do motor medida em BPM (Boleios por Minuto) ou PPM (Pealos por Minuto).

- Porta-luvas equipado com três opções: papel higiênico, sabugo de milho ou folha de mamona.

OBS: TODOS OS MODELOS TÊM PORTA-CUIA NO CONSOLE E A ÁGUA PRO CHIMARRÃO É AQUECIDA COM ENERGIA SOLAR. (Ecológico uma barbaridade, tchê!!!)

Mas ainda não está fechada a porteira do brete: no ato do remate os faceiros proprietários receberão, de regalo, uma tropa de CD´s do Mano Lima.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A doma do Potro Corisco!

Correu notícia que havia
Um fazendeiro afamado...
Que tinha um potro aporreado
Haragano e muito arisco
Matreiro e tão ardiloso...
Que parecia um tinhoso
E se chamava corisco

Criado, quase selvagem
Nos campos mais afastados
Não conhecia alambrado,
No campo era soberano,
Era um bagual alazão
Ligeiro igual furacão
E livre, como o minuano.

Para laçar este potro
Reuniu toda peonada,
Separam da manada
O colocaram arreio,
Cada peão que montava
Pensando que lhe domava
Caia o tombo, mais feio.

Tiveram que desistir
Deixando o potro aporreado,
Redomão e mal – domado
E o fazendeiro Francisco,
Bancando o bom cavalheiro
Dava cem mil em dinheiro
Pra quem domasse o corisco.

Fiquei sabendo da oferta
Pensei uma hora e meia
Vi que a parada era feia
Mais resolvi aceitar
E, mesmo correndo risco
De perder para o corisco
Eu precisava arriscar.

Encilhei meu pingo branco,
Meu cavalo de confiança...
Renovei minha esperança
E fui tratar com Dom Chico,
Sujeito de pouco estudo
Mas, entendia de tudo...
Com honras, lhe qualifico
Mas confesso que assustado,
Pois nunca vi coisa igual
Parecia, que o bagual
Estava endemoniado.

Mais ou menos quatro horas
Corcoveando sem parar,
Cansou de tanto apanhar,
Parou e ficou quietinho...
Por quase uma meia hora
Cortando a mango e espora
Desde a anca, até o focinho.

Já eram quase dez horas
Dom Chico estava apreensivo
Sem saber se eu estava vivo,
Derrepente fui chegando
No trote do alazão...
Fui direto ao galpão
Onde estavam me esperando.

Apeei frente ao galpão
O pessoal me aplaudiu,
Dom Chico quando, me viu
Ficou todo sorridente,
Peço desculpa seu moço
Eu sei que banquei o grosso
Com um rapaz competente.

Espero que me desculpe
Aqui está o seu dinheiro,
Mandei preparar primeiro
Um banho e um chimarrão,
Depois vamos churrasquear
E juntos comemorar
Aqui mesmo no galpão.

Eu aceitei o convite
Para jantar no galpão
Senti que meu coração
Bateu mais forte e ligeiro
Quando vi, bela e formosa,
Mais linda que a própria rosa
A filha do fazendeiro.

Fiquei bastante a vontade
Lá no galpão da fazenda,
Jantei ao lado da prenda
Que me pediu, por favor,
Fique aqui, não vá embora


Dom Chico estava sentado
Com a família na varanda,
Afinando um violão
E tomando chimarrão
Com sua Iolanda.

Me recebeu com reservas
Perguntando o que eu queria,
Eu lhe disse o que devia:
—sou um peão de talento
domador de potro chucro,
onde vejo que dá lucro
então ali me apresento.

O velho me olhou sorrindo
E disse:—meu bom rapaz!
te apresenta ao capataz
e diga que amanhã bem cedo
corisco vai ser domado,
ou ficar mais aporreado
se o domador tiver medo.

Não gostei da ironia!
Sou franco, senhor Francisco,
Mande pegar o corisco
Que eu quero encilhar agora
Vou mostrar que minha fama
Não pode, cair na lama...
Que cortá-lo de espora.

Eram mais de meia tarde
Quando laçaram o bagual,
Mais brabo que este animal
Somente tigre ou leão,
Dava coice e manotaço
Mordendo e dando pataço
E cavocando no chão.

Encilhei este cavalo
Montei e mandei soltar,
Começou a corcovear
Então eu baixei-lhe o mango,
Juntei o bicho na espora
E saímos campo à fora
Fiz até dançar um tango.
Este potro corcoveava
Chegava a tremer o chão...
Eu agüentando o tirão
Se não meu coração chora
Por falta do teu amor.

Eu, que sempre fui matreiro
Ressabiado de pealo
Encilhei o meu cavalo
Pedi desculpas a Dom Chico
Na prenda fiz um carinho
Despedi com um beijinho
Mas...desta vez eu não fico...

A LÍNGUA GAÚCHA E OS CAUSO DAS ESCRITURA

Desconheço o autor


Foi mais ou menos assim que o guasca contou:

"Pois não sei se já les contei os causos da Escritura Sagrada. Se não les contei, les conto agora:

A história essa é mui comprida, mas vale a pena contá.

De Adão e Eva acho que não é perciso, porque todo mundo sabe que eles foram expulso do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga.

Naqueles tempos esse mundaréu todo era um pasto só, sem dono, onde não tinha nem deles nem meu.

O primeiro índio a botá cerca de arame falpado, foi um tal de Abel, mas nem chegou a estender o primeiro fio, porque levou um pontaço no peito, do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão.

O Caim entonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pros lados do Uruguai.

Deixou um filho dele, um tal de Noé, tomando conta da Estância.

A Estância essa ficava nas barrancas de uma corredeira e o Noé uns anos depois pegou uma enchente das feias pela frente.

Coisa mui séria.

Caiu barbaridade de água.

Tanta água que tinha índio pescando jundiá em cima de um cerro.
O Noé entonces botou as criação em cima de uma balsa e se largou nas correntezas, o índio velho.

A enchente era tão braba, que quando Noé se deu conta, a balsa tava atolada num banhado chamado Dilúvio.

Foi aí que um tal Moisés varou aquela água toda com vinte juntas de bois e tirou a balsa do atoleiro.

Bueno, com aquele despropósito, as família ficaram amigas, e a filha mais velha de Noé se casou-se com o filho mais novo de Moisés e os dois foram morá numa estância mui linda chamada estância da Babulônica.

Bueno, tavam as famílias ali, tomando mate, no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias com mais uns trinta castelhanos do lado dele.

Abriram a cordeona e quiseram obrigá as prenda a dançá uma milonga.

Foi quando os velhos, que eram de muito respeito, se incomodaram e deu-se o entrevero.

Peleia braba, seu.

O correntino Golias, na voz de vamos, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés, e já estava largando planchaço em cima do mulherio, quando um piazito carreteiro, de seus dez anos e pico, chamado Daví, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz, que não teve nem graça.

Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhanos.

Dois que tinham desrespeitado as prendas foram degolado com o lado cego do facão.

Foi uma sangreira danada, tanto que até hoje aquele capão se chama Capão do Mar Vermelho.

Entonces foi nomeado delegado um tal de major Salomão.

Era home de cabelo nas venta, o major Salomão.

Nem les conto.

Um dia o índio tava sesteando quando duas velhas se botaram em cima de um gurizote que tava vendendo pastel.

O major Salomão era muito chegado ao piazito e passou a mão no facão e, de um talho só, cortô as velhas em dois.

Por essas estimativas, o major Salomão o que tinha de brabo tinha de mulherengo.

Eta índio bueno, seu.

Onde boleava a perna - pois nunca tinha usado cueca, já deixava filho feito, e como vivia boleando a perna, teve filho que Deus me livre, e tudo com a cara dele, que era pra não haver discordância.

Só que quando Nosso Senhor qué, até égua véia nega estribo.

Logo, logo, a filha das predileção do major Salomão, uma tal de Maria Madalena, fugiu da Estância e foi ser china de bolicho.

Foi uma vergonheira pra família, mas ela puxou à mãe que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomou jeito na vida, e o pobre do major Salomão se matou-se de sentimento com uma pistola Eclesiaste de dois canos.

Mas vejam como é a vida.

Essa mesma, a Madalena, se casou-se depois com um coronel Ponciano Pilato.

O coronel Ponciano foi quem tirou ela da vida.

Eu conheço três causos do mesmo feitio e nenhum deles deu certo.

Como dizia muito bem o meu finado pai, mulher quando toma mate em muitas bombas, nunca mais se acostuma com uma só.

Mas nessa contraproducente até que houve uma contrapartida.

O coronel Ponciano e a Madalena tiveram doze filho, os tal de Apóstolo que são muito conhecido pelas bondade e caridade que fizeram.

Foi até na casa deles que Jesus Cristo churrasqueou com a cunhada da Maria Madalena que depois foi santa afamada.

A tal de Santa Ceia.

Era um tempo muito mal definido.

Andava uma seca braba nos campo.

São José e a Virge Maria tinham perdido todo o gado e só tavam com uma mula branca no potrero, chamada Samaritana.

Um rico animal, criado em casa desde guacha, que só faltava falá.

Pois tiveram que se desfazê da pobre guachinha.

E como as desgraça quando vem, já vem de braço dado, foi bem aí que estourou a Revolução.

Os Maragatos, chefiados por um tal de coronel Jordão, acamparam na entrada da Vila.

Só não entraram porque tava lá um destacamento comandado pelo tenente Lazaro, aquele mesmo que por duas vezes foi dado como morto; mas aí um cabo dos provisório, um tal de cabo Judas se passou-se pros Maragatos e já se veio uns tal de Romano que tavam com uma força de Cavalaria agrupada numas várzeas e ocuparam a Vila.

Nosso Senhor foi preso pra ser degolado por um preto muito forte e feio chamado Calvário, degolador afamado, e que era filho da velha Palestina que tinha sido cozinheira da Virgem Maria.

Degolador é como cobra, desde pequeno já nasce ingrato.

Mas entonces botaram o Nosso Senhor na cadeia junto com dois abigeatários, um tal de João Batista e o primo dele, Heródio dos Reis.

Os dois tinham peleado por causa de uma baiana chamada Salomé e no entrevero balearam dois padres, monsenhor Caifás e cônego Atanásio.

Mas aí veio uma força da Brigada comandada pelo coronel Jesusalém que era meio parente do home por parte de mãe e com ele veio mais dois corpo de Provisório e se pegaram com os Maragatos.

Foi 40 dia e 40 noite de bala e bala.

Morreu três Santos na luta: São Luca, São João e São Marco.

São Mateu ficou trêis mez morre não morre, mas salvou-se o índio finalmente.

Nosso Senhor pegou três balaços, um em cada mão e mais um que varou os pé de lado a lado, e ainda levou mais um pontaço na altura da costela.

Ferimento feio que Jesus curou tomando vinagre.

Aí, Nosso Senhor desiludiu-se dos homes, subiu numa cruz, disse adeus pros amigos e mandou-se de volta pro céu, deixando os dez Mandamentos, que em verdade, são só cinco, mas que se pode acolherá em dois: NÃO SE MATA HOME PELAS COSTAS, NEM SE COBIÇA MULHER DOS OUTROS PELA
FRENTE.